quarta-feira, 17 de junho de 2015

DESENHO ANIMADO ABORDANDO ASSUNTO SOBRE SEXUALIDADE E GENERO

DESENHO ANIMADO ABORDA ASSUNTO SOBRE SEXUALIDADE E GÊNERO.



Dinâmica

A vida dentro de uma caixa: os homens devem... as mulheres devem...

 Objetivos: discutir sobre estereótipos e expectativas de gênero e observar como ambos limitam as escolhas de mulheres e homens; trabalhar as distinções entre sexo (as diferenças biológicas) e gênero (as construções históricas, culturais e sociais); esclarecer as definições de gênero, que mudam de geração a geração, de cultura a cultura e dentro de diferentes grupos socioeconômicos e étnicos. Material necessário: quadro e giz (ou folha de flipchart ou cartolina e pincel atômico) • folhas de papel A4 • um lápis ou caneta para cada participante. Tempo recomendado: 1h30min

Procedimento:

Etapa  1
1. Perguntar ao grupo o significado de “pressão de grupo”.
2. Após escutar algumas definições dadas, pedir que identifiquem situações em que se sentiram sob pressão para fazer alguma coisa por algum grupo social (família, amigas/os, colegas) a que pertençam.
3. Dividir a turma em pares do mesmo sexo e distribuir uma folha de papel e uma caneta para cada dupla.
4. Pedir aos pares que listem cinco tipos de comportamento ou de qualidade tradicionalmente definidos como apropriados ou inapropriados para mulheres e para homens. Dizer à turma que têm cinco minutos para preencherem a folha e que uma dupla não deve se comunicar com a outra.
5. Explicar que as respostas não precisam necessariamente representar o que eles/as pensam, mas, sim, a visão tradicional da sociedade.

Etapa 2

1. Dividir o quadro ou a folha de flipchart ou a cartolina em duas colunas. Escrever “Mulher”, no alto de uma das colunas, e “Homem”, no alto da outra.
2. Reunir as duplas em plenária e pedir que cada uma compartilhe um dos comportamentos ou uma das qualidades listadas para as mulheres. Ir anotando no quadro/folha o que for sendo apontado. Fazer o mesmo para o que listaram sobre os homens.
3. Perguntar às/aos participantes o que acharam das listas, pedir que as comparem e façam um resumo de cada uma.
4. Pedir que apontem quais comportamentos ou qualidades listadas podem ser definidas como biológicas.
5. Você vai observar que poucos/as ou nenhum/a podem ter determinação biológica. Nesse ponto, introduzir a distinção entre sexo biológico e construção social de gênero e lançar para reflexão e discussão.

 Etapa 3

1. Desenhar uma caixa em volta de cada lista no quadro/folha. Explicar que cada caixa representa um espaço em que mulheres e homens são tradicionalmente estimuladas/os e pressionadas/os a viver.
2. Perguntar às/aos participantes quantas garotas e mulheres elas/es conhecem que já “saíram de suas caixas”, ou seja, não se encaixam em todos aqueles pontos listados para elas.
3. Discutir o que levou as mulheres a mudarem. (Você pode lembrar que o movimento de mulheres e o movimento feminista ajudaram muitas mulheres a escapar de suas tradicionais caixas e a lutar por igualdade de direitos.)
4. Estimular a reflexão e a discussão com as seguintes perguntas: • Como as mulheres se beneficiaram por escapar de suas caixas? • Como são vistas as mulheres jovens quando não se adaptam dentro das caixas? • Ainda existe uma pressão para que as mulheres vivam de acordo com o conteúdo dessa caixa?
5. Perguntar quantos garotos e homens o grupo conhece que vivem de acordo com tudo o que está contido na caixa. O que acontece quando garotos e rapazes tentam escapar da caixa? (Eles vão ser agredidos ou “zoados”?) E o que acontece com os garotos e rapazes que vivem ou tentam ao máximo se adaptar a essa caixa? (O que se observa é a existência de um sistema de recompensas e punições que mantém rapazes e homens em suas caixas. Um exemplo disso é a exaltação da virilidade entre os homens, que é algo ainda muito valorizado e cobrado, mas que, ao mesmo tempo, os torna vulneráveis à violência.) De que maneiras/nomes os homens jovens são chamados quando não se adaptam à caixa? Mesmo hoje, ainda existe uma pressão para que homens vivam de acordo com o conteúdo da caixa?
6. Voltando à questão de gênero, lançar e discutir as seguintes questões: • Como aprendemos a representar os papéis de gênero? Damos carrinho para meninos e bonecas para meninas, colocamos chuteira na porta do quarto da maternidade, quando nasce um menino, e lacinho cor-de-rosa, quando nasce uma menina etc.? • Quais são as pessoas e/ou instituições que nos ensinam esses estereótipos? (Há vários locais de aprendizado de comportamentos estereotipados de mulheres e homens: a família, a escola, a religião, os esportes, a mídia, a música etc.)

Fechamento:


Discussão Momentos como esse, quando paramos e discutimos sobre como vivemos e como queremos viver nossas vidas, são de grande importância para a mudança, demonstrando como podemos ajudar não apenas nós mesmos/as, mas também outras pessoas, a escapar dessas caixas.

Educação sexual: precisamos falar sobre Romeo...


O pequeno Romeo Clarke, tem 5 anos e adora usar seus mais de 100 vestidos para as atividades do dia a dia. "Eles são fofos, bonitos e têm muito brilho", explicou ao tabloide britânico Daily Mirror. Clarke virou notícia em maio do ano passado. O projeto de contra turno que ele frequentava na cidade de Rugby, no Reino Unido, considerou as roupas impróprias. O menino ficou afastado até que decidisse - palavras da instituição - "se vestir de acordo com seu gênero". 


O caso de Clarke não é único. Situações em que crianças e jovens que descumprem as regras socialmente aceitas sobre ser homem ou mulher - seja de forma intencional ou por não dominá-las - fazem parte da rotina escolar. Quando eclode o machismo, a homofobia ou o preconceito aos transgêneros, pais e professores agem rápido para pôr panos quentes e, sempre que possível, fazer de conta que nada ocorreu. "A escola, que deveria abraçar as diferenças, pode ser o ambiente mais opressivo que existe", defende Iana Mallmann, 18 anos, ativista contra a homofobia. "Muitos ainda abandonam as salas de aula por não se sentirem bem nesse espaço", completa Beto de Jesus, secretário para América Latina e Caribe da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, pessoas Trans e Intersex (Ilga, na sigla em inglês).



Paradoxalmente, quem tem ensinado a escola a agir no respeito à diversidade são os próprios estudantes. "Na contemporaneidade, multiplicaram-se os grupos, os sujeitos e os movimentos, as maneiras de se identificar com gêneros e de viver a sexualidade. Não há apenas uma forma de ser, mas tantas quantas são os seres humanos", afirma Guacira Lopes Louro, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das principais referências na área de estudos de gênero. É o que mostram os corajosos depoimentos de Iana, Roberta e Emilson. Eles nos convidam a uma reflexão sobre nossas próprias ideias de masculino e feminino, hétero, homo ou bi, coisas de menino e coisas de menina. Precisamos falar sobre sexo, sexualidade e, sobretudo, gênero.



Três ideias, três conceitos 
Vale desfazer a confusão entre esses conceitos. O sexo é definido biologicamente. Nascemos machos ou fêmeas, de acordo com a informação genética levada pelo espermatozoide ao óvulo. Já a sexualidade está relacionada às pessoas por quem nos sentimos atraídos. E o gênero está ligado a características atribuidas socialmente a cada sexo.



O que se sabe hoje em dia é que o dualismo heterossexual/homossexual não é capaz de abarcar as formas de desejo humanas. Os estudos sobre o tema dizem que a orientação sexual se distribui num amplo espectro entre esses dois polos. É provável que a definição sexual se dê pela interação entre fatores biológicos (predisposição genética, níveis hormonais) e ambientais (experiências ao longo da vida). Mas não há certezas. O guia Sexual Orientation, Homossexuality and Bissexuality, da Associação Americana de Psicologia, resume: "Não foram feitas, por enquanto, descobertas conclusivas sobre a determinação da sexualidade por qualquer fator em particular. O tempo de emergência, reconhecimento e expressão da orientação sexual varia entre os indivíduos". 



É surpreendente notar como determinados comportamentos são mais aceitos em uma fase da história e reprimidos na seguinte. Os moradores da Grécia Antiga, por exemplo, se relacionavam com pessoas de ambos os sexos. Já na Idade Média, comportamentos que se desviassem da norma socialmente definida eram punidos com a fogueira. Hoje, não há mais chamas, mas o sofrimento assume a forma de piadas, humilhações, agressões físicas e psicológicas, exclusão. Por que ainda agimos assim? Como se construiu uma sociedade que se choca e entra em pânico ao ver um menino se vestindo de menina?



A resposta está no conceito de gênero. Ele diz respeito ao que se atribui como características típicas dos sexos masculino e feminino. Meninas precisam sentar-se de pernas fechadas, meninos podem abri-las. Meninos não podem chorar, meninas são mais sensíveis. Meninos gostam de azul, meninas preferem o rosa. Enfim, uma série de aspectos que, com o tempo, ganham força e se convertem em regras. Por quê?



Porque cada um de nós interioriza as estruturas do universo social e transforma-as em jeitos de ver o mundo que orientam nossas condutas. Diversas instâncias atuam para que essas normas sejam transmitidas dos mais velhos aos mais jovens: a família, os grupos de amigos, as religiões - e, claro, as escolas. No caso do gênero, a associação com elementos preexistentes, como tradições culturais, preceitos religiosos e costumes familiares, vai definindo quais elementos pertencem ao universo masculino ou ao feminino. Por exemplo: ao provar do fruto proibido e convencer Adão a também comê-lo, Eva teria mostrado o lado irracional e sentimental da mulher. Por isso, sedimentou-se a ideia de que ela deveria estar submissa ao homem - naturalmente, um ser racional e cerebral, como explica a pesquisadora Clarisse Ismério no artigo Construções e Representações do Universo Feminino (1920-1945). Mais exemplos: a associação de carros e motos como "coisa de macho" foi herdada da ideia vigente até o início do século 20 de que o espaço público deveria ser ocupado pelos homens, enquanto as mulheres deveriam se dedicar à vida doméstica, como faziam suas mães. Já a atribuição das cores rosa e azul, respectivamente, a meninas e meninos... Bem, essa aí parece não ter justificativa. Nenhuma surpresa: a investigação sócio-histórica revela que na gênese de muitos hábitos, costumes e regras impera a mais pura arbitrariedade.



Tudo isso se complica em razão de outra característica da mentalidade moderna: a tendência de pensar por oposições. Segundo o filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004), a lógica ocidental opera por meio de binarismos: feio/belo, puro/impuro, espírito/corpo etc. "Um termo é sempre considerado superior, e o oposto seu subordinado", explica Guacira. Assim, o homem heterossexual conquistou o lugar de maior prestígio na sociedade. Um degrau abaixo, a mulher. E na penumbra, os que não se encaixam no esquema binário: gays, lésbicas, bissexuais, travestis...



Até meados do século 20, esse discurso circulou quase sem contestações. A partir dos anos 1950, movimentos feministas, guiados pelos estudos da filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), engrossados na década seguinte pelos hippies e outros levantes da contracultura, começaram a colocar em xeque os papéis atribuídos às mulheres na sociedade, no trabalho e na família. Seguiram-se a eles as lutas pelos direitos de homens gays, lésbicas, travestis, transexuais e assim por diante entre 1970 e os anos 2000. Atualmente, correntes contestatórias ampliam as possibilidades identitárias, defendendo que há muitos jeitos de ser homem e mulher.



Você deve estar se perguntando onde a escola entra nessa discussão. Para que ela respeite a diversidade, as formações de professores precisam abordar o assunto. É o melhor caminho para disseminar o que as pesquisas já descobriram sobre a construção dos gêneros e sua relação com o sexo e a sexualidade. Mas as iniciativas sofrem forte resistência. O caso mais notório aconteceu em 2011. Como parte do programa Brasil sem Homofobia, especialistas produziram para o governo federal cadernos com conteúdo pedagógico que colocavam o tema em discussão.



A intenção era que o material fosse distribuído a escolas de todo o país. Antes da impressão, entretanto, congressistas ligados a entidades religiosas se opuseram ao projeto. Apelidado de "kit gay", o conteúdo foi acusado de estimular "a promiscuidade e o homossexualismo" - termo em desuso por remeter a doença (hoje, fala-se em homossexualidade). A União cedeu às pressões e vetou a circulação dos cadernos. Oficialmente, não há perspectivas para que esse material saia do armário.



Por enquanto, episódios como o do menino Romeo seguem envoltos pela vergonha. Mesmo em casos de crianças muito pequenas, em que não há relação entre o comportamento da criança e sua sexualidade (meninos mais sensíveis ou meninas que prefiram o futebol às bonecas), o expediente-padrão é convocar os pais para uma conversa sobre o suposto problema e encontrar maneiras de "corrigi-lo". "Muitas vezes, essas crianças e jovens apanham dos pais, são proibidos de voltar às aulas ou mesmo fogem", relata Constantina Xavier, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). É papel da escola agir com profissionalismo. O que, nesse caso, significa tratar o tema com naturalidade e não reportá-lo aos pais. Um menino quer se vestir de princesa. Se há algum problema, é com os olhos de quem vê. Como ensina Georgina Clarke, a mãe do pequeno Romeo: "Não me importo. Faz parte de quem ele é. Se usar os vestidos faz com que ele seja feliz, então está tudo bem para mim".

Respostas para dúvidas de pais sobre educação sexual

A educação sexual nas escolas, de acordo com especialistas, tem a função de prevenir doenças, preparar para a vida adulta e contribuir para que a gravidez precoce seja evitada. A metodologia, a obrigatoriedade do ensino nas escolas e a idade em que a sexualidade deve ser formalmente abordada são pontos polêmicos para pais e educadores, mas a psicóloga Gina Strozzi e o ginecologista José Pinto Mota concordam que o tema não pode ser ignorado. A pedido de A Tribuna, eles responderam a perguntas feitas por pais sobre o assunto. A arquiteta Bianca Chiepe, que é mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo, perguntou de que forma o conteúdo deve ser abordado. A psicóloga e especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi, ensina que para tratar do assunto é necessário ser sutil e afetuoso, sem pular etapas da infância. “Não precisa adiantar as fases da criança. A criança pequena, a partir dos 9 anos, por exemplo, precisa entender a sexualidade com responsabilidade e afetividade. É preciso responder de forma sutil e que satisfaça sua curiosidade”, orientou. O funcionário público Fábio Martins Teixeira, 37, questionou se a disciplina deve ser obrigatória nas escolas. “O ideal é que fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não transmita os valores dele. Porém, como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como optativa ”, disse Gina. José Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação)”, explicou. Sobre a importância das discussões no ambiente escolar, sempre respeitando a abordagem ideal para cada faixa etária, o ginecologista e a psicóloga concordam que elas ajudam a preparar para uma vida adulta mais saudável. “Para adolescentes e jovens, isso é fundamental para formar consciência sexual pautada na responsabilidade”, disse Gina Strozzi. A arquiteta Bianca Chiepe, de 25 anos, mãe de Sofia, 7 , é a favor da educação sexual nas escolas desde que seja feita por profissionais capacitados. Bianca também acredita que a falta de orientação é prejudicial, pois faz com que os adolescentes aprendam errado com colegas. “Os professores têm que ser bem orientados. Mas não dá para tapar os olhos das crianças, pois se descobrirem sozinhos é pior. Se você não ensina, eles aprendem com os colegas”, disse.
Alguns questionamentos:  
1 - A disciplina de educação sexual deveria ser optativa ou obrigatória? Para a psicóloga Gina Strozzi, o ideal é que a disciplina fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não ensine às crianças conceitos já formados, não transmita os valores dele e esteja bem informado. “Porém , como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como o ptativa ”, disse. 
2 - Os pais devem ter o direito de discutir conteúdo com professores? “A gente pressupõe que os conteú- dos formais passem por crivos cientí- ficos, não somente sociais. É muito delicado. Eu avalio que é inviável a discussão aberta com os pais, porque não vai existir consenso. Cada pai tem um histórico familiar, uma formação” disse Gina Strozzi, psicóloga. 
3 - A partir de que idade a criança deve ter aula de educação sexual? Especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi diz que a questão da idade é controversa, mas defende que comece a partir de 9 anos e aconteça também em casa. “Nessa idade, já é possível começar uma orientação. A educação sexual começa em casa, a partir das perguntas das crianças. Meu conselho é que se você prometer falar depois sobre isso, não deixe de responder. Procure se informar, encontrar uma maneira de conversar, mas não perca essa oportunidade.” 
4 - Qual tipo de conteúdo é indicado para cada faixa etária? A multiplicidade de temas dentro da sexualidade faz com que os conteúdos variem. A psicóloga Gina Strozzi defende que, inicialmente, as questões anatômicas sejam abordadas. “Os primeiros conteúdos são ligados ao corpo. As questões reprodutivas, as doenças e sexo seguro. Nesse primeiro contato, eles perguntam de tudo. O segundo momento afasta um pouco do corpo e entra nas questões de gênero, os heterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais e travestis. E, por último, as questões que são ligadas aos transtornos sexuais, porque já exige um pensamento mais adulto”, afirmou. 
5 - Até que ponto a escola pode ir com relação ao assunto da hom o ss ex u a l i d a d e? O ginecologista e sexólogo José Pinto Mota defende que a questão da homossexualidade seja tratada na escola para evitar a homofobia. “A escolaéolocal apropriado para falar de sexo, inclusive da homossexualidade, antes que o aluno receba informação errônea pelas redes sociais. Nessa etapa crucial de desenvolvimento da criança e do adolescente, é importante também vencer os tabus da homofobia, pois é ali que nascem os homofóbicos do futuro”. 
6 - Os pais podem proibir os filhos de ter esse tipo de aula? De acordo com o médico José Pinto Mota, a proibição dos pais não traz benefício. “O pai não pode, nem deve, proibir os filhos de frequentarem a essas aulas, pois elas informam o que existe na sociedade, é mostrado em revistas, livros, televisão e na internet. O alicerce do saber é a escola e a boa educação familiar também. O ideal é “ Deve - se mostrar que a educação sexual é uma preparação para a vida adulta José Pinto Mota, ginecologista ” LEONARDO DUARTE - 06/04/2015 ACERVO PESSOAL “ A educação sexual começa em casa, a partir das perguntas das crianças Gina Strozzi, psicóloga ” Rayza Fontes Aeducação sexual nas escolas, de acordo com especialistas, tem a função de prevenir doenças, preparar para a vida adulta e contribuir para que a gravidez precoce seja evitada. A metodologia, a obrigatoriedade do ensino nas escolas e a idade em que a sexualidade deve ser formalmente abordada são pontos polêmicos para pais e educadores, mas a psicóloga Gina Strozzi e o ginecologista José Pinto Mota concordam que o tema não pode ser ignorado. A pedido de A Tribuna, eles responderam a perguntas feitas por pais sobre o assunto. A arquiteta Bianca Chiepe, que é mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo, perguntou de que forma o conteúdo deve ser abordado. A psicóloga e especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi, ensina que para tratar do assunto é necessário ser sutil e afetuoso, sem pular etapas da infância. “Não precisa adiantar as fases da criança. A criança pequena, a partir dos 9 anos, por exemplo, precisa entender a sexualidade com responsabilidade e afetividade. É preciso responder de forma sutil e que satisfaça sua curiosidade”, orientou. O funcionário público Fábio Martins Teixeira, 37, questionou se a disciplina deve ser obrigatória nas escolas. “O ideal é que fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não transmita os valores dele. Porém, como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como o p t a t i va ”, disse Gina. José Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação)”, explicou. Sobre a importância das discussões no ambiente escolar, sempre respeitando a abordagem ideal para cada faixa etária, o ginecologista e a psicóloga concordam que elas ajudam a preparar para uma vida adulta mais saudável. “Para adolescentes e jovens, isso é fundamental para formar consciência sexual pautada na responsabilidade”, disse Gina Strozzi. que os pais sejam recebidos na escola para entender melhor o que e como os filhos estão aprendendo.” 
7 - Qual é a metodologia indicada para abordar a questão da sexualidade? O sexólogo José Pinto Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC, que capacitam bons ensinamentos.” 
8 - O que devo fazer se o meu filho começar a reclamar da aula de educação sexual? O ginecologista José Pinto Mota acredita que o desconforto em tratar do tema leva o aluno a reclamar das aulas. “Deve-se mostrar que a educação sexual é uma preparação para a vida adulta, faz parte da formação e é necessária. Os temas podem gerar constrangimento e o aluno reclama da aula por esse motivo ou por causa da dificuldade que o professor pode ter de transmitir a informação sobre o tema.” 
9 - Qual a importância da educação sexual durante o período escolar? “Para adolescentes e jovens, a educação sexual é fundamental para formar consciência e uma orientação sexual pautada na responsabilidade. É para ajudar os jovens a criar um senso critico e desenvolver uma sexualidade saudável, prazerosa, que fuja dos transtornos, patologias e distúrbios. A reflexão sobre esses temas os leva a ter uma vida saudável”, disse Gina Strozzi, psicóloga especializada em neurociência e sexualidade humana.

Reportagem de: Rayza Fontes, do  Jornal Atribuna, Dia 15 de Junho de 2015, Página 7. 

domingo, 14 de junho de 2015

Nesse vídeo podemos acompanhar o desenvolvimento infantil, a sexualidade de abordada de maneira simples, com depoimento das crianças, analisada pela educadora Monique Deheinzelin.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

A questão do gênero e seus estudos feministas. 



A questão do gênero e seus estudos feministas apontam para uma ação de relações de poder que vai além da demanda entre homem e mulher, ou no reducionismo epistemológico dominado vs. dominante.
O texto nos aponta para uma complexidade nas relações sociais e sua problematização, quando esta se relaciona ao poder. Para tanto, o filósofo francês Michel Foucoult salienta as multiplicidades do exercício do poder que num só se resume nas medições de relação bipolar (dominador e dominado).
Há evidência na composição social que apresentam o poder com seus efeitos, disposições, manobras, táticas, técnicas e funcionamentos. Além disso, o exercício do poder, pressupõe um potencial de revolta, formando jogos de poder. Isso acontece também nas relações de gênero que num se resume apenas ao caráter homem-mulher, macho-fêmea, mas se torna mais complexa com a questão homo-hétero, gay, lésbica. Se há poder, há domínio de poder, há resistência a esse domínio.
Assim os gêneros se produzem pelas relações de poder. Por exemplo, o conceito de “bio poder” que é o controle sobre a vida e os corpos das pessoas: a obrigação social do casamento. A questão do domínio biológico é ainda físico, psíquico e comportamental. Eles assim justificam dos movimentos que exigem igualdade nas relações de poder que envolve e se tornam mais complexas nas relações sociais, econômicas e políticas.
Igualdade é um conceito político que exige diferença, equivalência de sujeitos. O domínio de padrões de relação; busca de ser uma identidade multifacetada do sujeito, às vezes contraditórias.
Assim sendo, o problema não pode ser minimizado apenas no esquema da visão das lutas de classe, contradições sociais. Há uma multiplicidade e complexa. Não há uma categoria central, mas uma multiplicidade, combinações múltiplas transitórias. 

VÍDEO IDENTIDADE, SEXUALIDADE E GÊNERO NA ESCOLA

Identidade, sexualidade e gênero na escola.

A partir da reportagem da capa da revista Nova Escola de Fevereiro, o vídeo vai debater como tratar questões de gênero e sexualidade dentro e fora da sala de aula.



VÍDEO SOBRE SEXUALIDADE E GÊNERO


Orientação sexual (projeto institucional)

Orientação sexual (projeto institucional)


Conteúdo(s)

Objetivos


  • Envolver professores e pais no trabalho de orientação sexual dos estudantes. 
  • Desenvolver nos alunos o respeito pelo corpo (o próprio e o do outro).
  • Refletir sobre diferenças de gênero e relacionamentos.
  •  Dar informações sobre gravidez, métodos anticoncepcionais e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
  • Conscientizar sobre a importância de uma vida sexual responsável.


Conteúdos

Sistema reprodutivo -
 Corpo humano -
Padrões de beleza

Anos 1º a 5º.

Desenvolvimento 1ª etapa 

Prepare a escola e a comunidade:
Capacitação da equipe Professores e funcionários devem estar preparados para lidar com as manifestações da sexualidade de crianças e jovens. Um curso de capacitação sobre os principais temas (como falar e agir com crianças e adolescentes; prazer e limites; gravidez e aborto; DSTs etc.) é o mais indicado. Além disso, os formadores podem ajudar a identificar os conteúdos das diversas disciplinas que contribuem para um trabalho sistemático sobre o tema.
Envolvimento dos pais Faça uma reunião com as famílias para apresentar o programa. Aproveite para falar brevemente sobre as principais manifestações da sexualidade na infância e na adolescência.
Formação permanente Organize um grupo de professores para estudar temas ligados à sexualidade e discutir as experiências em sala de aula.

2ª etapa

 O trabalho em sala de aula exige que você fique atento às atitudes e à curiosidade das crianças, pois são elas que vão dar origem aos debates e às atividades propostos a seguir:
Vocabulário da sexualidade Palavrões são comuns nas conversas infantis e podem ser usados para fazer graça ou para agredir. Mas eles perdem rapidamente o impacto quando você os escreve no quadro. Explique o significado de cada um, deixe claro que todos podem ser ofensivos e, por isso, não devem ser usados - principalmente em público. Caso as palavras façam referência aos órgãos sexuais, levante as outras que a turma conheça para pênis e vagina. Escreva no quadro os termos corretos e utilize-os nas conversas sobre o tema.

Padrões de beleza 

Ao perceber que os alunos debocham da aparência de um colega, um bom caminho é promover um debate sobre padrões de beleza.

  • Que tal passar o filme Shrek? 
  • Por que a princesa Fiona se esconde quando vira ogra? 
  • Ela só é aceita quando aparenta ser bela? 
  • Que qualidades têm os personagens? 
  • É justo que as pessoas evitem quem não acham bonito? 

Outro bom exemplo é a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. A modelo é bonita? Explique que, na época em que foi pintada, ela era (sim) um padrão de beleza. Divida a turma em duplas e peça que cada um descreva qualidades ou algo que

RELATO DE UMA MENINA DE 13 ANOS QUE FOI ATACADA NA ESCOLA

Educação sexual: precisamos falar sobre Romeo...

...Iana, Roberta e Emilson.

A escola trata com preconceito quem desafia as normas de papéis masculinos e femininos. 

A seguir, uma discussão sobre sexo, sexualidade e gênero Wellington Soares (wellington.soares@fvc.org.br) Envie por email Imprima |<<Página 3 de 4>>|

Roberta Lomonaco Macchia, 13 anos, aluna da rede particular em São Paulo, contou com o apoio da irmã Nathalya e venceu a culpa por ser atacada.

O machismo que culpa a vítima

"Eu estava voltando de um passeio promovido pela escola. Tinha andado o dia inteiro e resolvi tirar a blusa de moletom. Quatro meninos me encurralaram em um canto do ônibus e tentaram tocar meus seios. O professor me viu chorando e, indignado, ligou para o orientador pedagógico. Minha mãe foi à escola diversas vezes cobrar providências. O orientador conversava com ela e depois me chamava sozinha à sala dele para falar o oposto. Tive de ouvir frases como: ‘Você precisa encarar isso como uma brincadeira’, ‘Talvez você tenha
provocado’ e ‘É normal que isso aconteça com meninos dessa idade’. Era como se eu - e não os meninos que tentaram me tocar - tivesse feito algo errado. Numa reunião com minha mãe, o coordenador chegou a dizer que para me mudar de sala teria de inventar uma história, porque esse procedimento só era tomado quando algo grave acontecia. Como se o que eu passei não fosse um tipo de violência. Me senti culpada. Só consegui superar esse sentimento porque tive o apoio da minha família, de alguns amigos e da minha irmã mais velha, Nathalya. Engajada em discussões sobre o feminismo, ela me ajudou a ver que situações parecidas com a minha acontecem todos os dias com muitas e muitas mulheres e a reação é sempre a mesma: a vítima é responsabilizada."

 COMO A ESCOLA PODERIA AGIR 


E preciso deixar de naturalizar esse tipo de episódio. Meninos precisam respeitar o corpo da mulher. Cantadas desrespeitosas e situações de assédio podem ser comuns, mas não são aceitáveis. Não se deve, ainda, usar critérios diferentes para o comportamento de meninos e meninas, como se apenas garotos demonstrassem interesse sexual e indisciplina. Outro tema da pauta é a responsabilização da vítima. Em casos como o de Roberta, é comum que se escutem questões como: "Você não provocou?" e "Como você estava vestida?". Atitudes e roupas, quaisquer que sejam, não justificam ataques. Assédio e atos violentos são sempre culpa do agressor.


Todos de saia contra os rótulos "Não acredito nas divisões entre o masculino e o feminino e, por isso, me considero agênero. Um dia, uma amiga deixou comigo uma saia do uniforme. Decidi ir à escola com ela. Ouvi uma piadinha ou outra, mas meus colegas de classe não se importaram. Na última aula, fui chamado à sala da gestão, onde estavam o coordenador pedagógico e a diretora adjunta. Ela começou dizendo que tinha contato com as discussões de gênero desde a faculdade. Também argumentou que, na Escócia, era normal que homens usassem saia, mas aqui no Brasil não. No fim das contas, eles queriam que eu tirasse a saia. Não fui obrigado, mas a presença dos dois me fez pensar: ou eu tiro ou pode haver consequências ruins para mim. Na instituição em que estudo, uma escola pública tradicional do Rio de Janeiro, as organizações estudantis são muito fortes. Além do grêmio, também há uma frente liderada pelos alunos para fazer com que todos se sintam aceitos como são. Nós sempre realizamos atividades, palestras e atos para discutir temas ligados ao gênero e à sexualidade. Como protesto ao que tinha acontecido, promovemos um ‘saiato’ duas semanas depois. Mais de 30 alunos, homens e mulheres, foram de saia à escola no dia marcado. O caso repercutiu e saiu em diversos jornais. Infelizmente, a gestão da escola decidiu não tocar no assunto. Apesar de uma nota divulgada a um jornal, não houve nenhum tipo de discussão organizada pela escola." COMO A ESCOLA PODERIA AGIR
Questionar desde a Educação Infantil as normas e os padrões associados a cada um dos gêneros é um passo inicial. A definição do que é roupa de menina e o que é roupa de menino também é feita por convenções que variam de acordo com a cultura e o local. Assim, não há porque proibir que um menino vista saia, se ela fizer parte do uniforme definido pela instituição. Se o uso causar comoção na escola, a situação pode ser utilizada para debater como se construíram as regras que diferenciam homens e mulheres.


Como agir com as brincadeiras de namoro entre as crianças? 13/02/2014 às 15:19 | Educação Infantil, Sexualidade

Muitos pais e professores ficam preocupados quando os pequenos brincam com o próprio corpo ou descobrem o prazer de tocar os genitais – comportamentos comuns na infância. No entanto, em uma postura contraditória, eles estimulam a criança a namorar quando ouvem o filho ou aluno se referindo ao amigo como namorado.
Namoro não é natural na infância. As criança pequenas ainda não têm condições biológicas, emocionais, e muito menos maturidade para realizar o relacionamento afetivo-sexual indispensável ao namoro.
Crianças não namoram, elas se relacionam. Para os pequenos, o outro ainda não tem a importância que o adulto dá. Uma criança não gosta de outra porque sente vontade de beijá-la, abraçá-la ou ser a única companheira de suas brincadeiras. Os pequenos gostam dos outros porque eles demonstram prazer em brincar junto, devolvem seus brinquedos, inventam uma brincadeira divertida, emprestam lápis de cores…
Por que, então, algumas crianças dizem ter namorados?
Normalmente, porque algum adulto falou isso antes. Em geral, é a partir dos três anos que as crianças passam a brincar de namoro e de papai e mamãe. Nesse momento, eles já incorporaram o conceito de gênero e começam a imitar os adultos. As brincadeiras revelam como os pequenos estão percebendo os papéis de gênero assumidos pelo mais velhos. Não indicam o desejo de ser pai, mãe ou mesmo de namorar.
Além disso, a criança constrói seu imaginário com base nas mensagens transmitidas pela família e pela sociedade. Para ela, ser namorado de alguém é gostar de estar junto. E, em geral, quem se encaixa neste perfil, é o(a) amiguinho(a) do momento.
É por isso que uma menina pode imitar os mais velhos e até dizer que o seu namorado é o Felipe. Mas, se isso não for reforçado pelo adulto, amanhã ela poderá dizer que é o Flávio, depois a Marina, a Carla…
Li na internet um depoimento de uma mãe que exemplifica bem o tema deste post. A filha de cinco anos pegou um anel de brinquedo e avisou: “Vou levar para o Felipe, posso?”. A mãe respondeu cheia de expectativas: “É um anel de compromisso?” “O que é um anel de compromisso?”, questionou a menina. “Nada, nada. Pode levar, filha.” A criança então complementou: “Não sei se vou dar pra ele ou para a Letícia.”
Uma vez, um pai me procurou muito preocupado com a possibilidade de seu filho ser gay. Ele havia perguntado ao seu filho de 4 anos quem era a namorada do menino. A resposta veio de pronto: “Ora, o Rafael!”. Apesar da ansiedade do pai, é claro que a resposta da criança não sinaliza qual será a sua orientação sexual.
As confusões acontecem porque as pessoas entendem a palavra namorado sob o ponto de vista do adulto. E têm dificuldade em diferenciar sua visão de mundo da visão dos pequenos. Deveriam lidar com os comentários de acordo com o contexto e com a capacidade das crianças. Mesmo porque, logo, logo, quando chegarem aos 7 anos, os meninos dirão que as meninas são chatas e mimadas. Já as garotas vão dizer que eles só conversam bobagens e não entendem de meninas. É por volta dos 13 anos que as crianças passam a ter interesse afetivo e sexual por alguém e de fato, namorar.
O que fazer quando o aluno diz estar namorando
Durante a infância, é importante que a criança tenha tranquilidade para fazer amigos e brincar de acordo com o seu desenvolvimento. Portanto, o professor ajuda muito ao evitarcomentários sobre namoro. Também não é bom sugerir que o aluno sente ao lado de seu suposto namoradinho ou lhe dê um beijo. Atitudes como essas inibem os pequenos. O que era para ser uma amizade leve, descontraída, divertida e companheira… vira um constrangimento e tolhe o desenvolvimento e a aproximação entre eles.

A atitude da escola com os pais

Uma professora de Educação Infantil me perguntou como proceder com o aluno cuja mãe compra presentes para sua filha dar ao “namoradinho” na escola. “A mãe já trouxe até jóias, como um anel simbolizando compromisso!”, explicou.
Meu conselho? Não estimule esse comportamento na escola. Há crianças que pegam birra e nem chegam mais perto do amigo que insistem em dizer ser seu namorado.
Em casos como esses, a escola pode conversar com os pais sobre o assunto. Essa tarefa pode ficar com o coordenador ou o professor da criança. Caso o profissional se sinta inseguro, pode levar para o bate-papo a pessoa na escola que entenda de sexualidade infantil, como a psicóloga. Quem lidera essa conversa preciso conquistar a confiança e o respeito desses pais. Isso porque irá tocar em questões delicadas, como as expectativas e valores dos responsáveis pela criança.
A escola também pode promover palestras ou cursos sobre sexualidade infantil e desenvolvimento afetivo-sexual. Essas atividades para a comunidade costumam surtir um efeito positivo na compreensão dos adultos.
Há outras condutas em sua escola para lidar com essa pressão sobre as crianças? Compartilhe nos comentários! TAGS: comportamento, crianças, educação infantil, namoro



Relações de gênero – um tema que não pode ficar fora da sala de aula 06/11/2014 às 18:27 | Sexualidade

Igualdade de gênero: direitos, oportunidades e respeito.
Homens que se relacionam com muitas mulheres são “garanhões”. Mulheres que se relacionam com muitos homens são “fáceis”. Homens não choram. Mulheres são menos eficientes.
Como seus alunos percebem os papéis que os homens e as mulheres desempenham na sociedade? A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou em Nova York a campanha HeForShe (ElePorEla), um movimento para promover a igualdade de gênero e nomeou a atriz Emma Watson, que ficou famosa ao viver a personagem Hermione na franquia Harry Potter, como embaixadora da boa vontade.
Em seu discurso, ela prega o reconhecimento dos direitos e da autonomia da mulher. “Acho certo que me paguem o mesmo tanto que os meus colegas do sexo masculino recebem… Que mulheres estejam envolvidas nas políticas e tomadas de decisão de seu país… Que eu seja capaz de tomar decisões sobre o meu próprio corpo… E que socialmente eu receba o mesmo respeito que os homens.”
Assista ao discurso da atriz na íntegra:
Como ela diz, nenhum país do mundo pode dizer que alcançou a igualdade de gênero. E eu completo: alguns países estão muito distantes disso, como o Paquistão, em que milícias extremistas tentam impedir as meninas de estudarem e até tentam assassiná-las por isso, como foi o caso da Malala, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. O Irã também foi manchete nos jornais dessa semana com o caso absurdo da advogada que foi presa e condenada a um ano de prisão por querer assistir a um jogo de vôlei.
O que não se noticia e a gente não percebe é que o descompasso entre gêneros, que produz tanta violência, é construído no dia a dia, durante todo o desenvolvimento de meninos e meninas, como parte daquilo que chamamos de Educação Sexual.
Ser Homem ou Mulher
A natureza não define o gênero de uma pessoa, apenas o sexo: nascemos do sexo masculino ou feminino. As crianças não nascem acompanhadas de uma “bula da natureza” que mostra como homens e mulheres devem se portar: isso é aprendido e estabelecido nas relações sociais e varia de acordo com a cultura, valores e conceitos. Logo depois que um indivíduo nasce, inicia-se um longo processo social que influencia a construção de sua identidade, do seu papel sexual e de como se porta nas relações entre os sexos. A absorção desses estereótipos de gênero depende de como cada um aprende, entende e interpreta seus direitos e deveres em relação a si mesmo, ao outro e ao seu grupo social. E isso é uma questão de cidadania de que a escola participa ativamente, seja
de forma intencional e sistematizada, seja no simples fato de transmitir, por meio do vínculo que criam com os alunos, valores, crenças e atitudes dos seus profissionais.
Sugestão de como trabalhar a relação de gênero
Trabalhar a relação de gênero significa educar sexualmente meninas e meninos dentro de uma perspectiva de igualdade de relações e direitos. Independentemente do sexo, homens e mulheres podem ser fortes e fracos, emotivos e racionais, autônomos e dependentes, inteligentes e capazes. Os sujeitos são constituídos de acordo com suas experiências em função de sua história e cultura e não como um fato da natureza humana.
Durante a infância isso pode ser trabalhado nas histórias que são contadas para as crianças, nas brincadeiras adotadas pela escola, na igualdade de oportunidades, nas atividades desenvolvidas em sala de aula, e principalmente, pela tomada de consciência do professor sobre as suas atitudes e valores em relação ao sexo feminino e masculino. Os educadores precisam rever seus conceitos e sua atuação junto às crianças, para não passar adiante modelos que contribuem para o descompasso entre os gêneros. As historinhas infantis mostram que a submissão de uma princesa é motivo para o príncipe se apaixonar por ela? Os meninos são recriminados quando choram ou ficam tristes? Apenas as meninas são chamadas para ajudar a professora, por serem naturalmente mais “organizadas” e “prendadas”? Essas são algumas reflexões que educadores precisam fazer para avaliar se sua postura em sala está reforçando estereótipos.
Na adolescência, as atitudes do dia a dia e a postura do professor também são muito importantes. Mas se na sua escola você dispõe da oportunidade de falar sobre gênero com seus alunos, esse é um excelente tema para se trabalhar. Para isso, é fundamental desenvolver uma atividade dinâmica em que os jovens possam expressar suas ideias, refletir sobre elas e desenvolver uma postura ética sobre as desigualdades sociais entre homens e mulheres. Uma boa sugestão é usar a dinâmica que trabalha as vantagens e desvantagens de ser homem ou mulher na nossa sociedade. Ela está disponível na página 30, do Manual do Multiplicador do Ministério da Saúde.
Na minha experiência esse trabalho permite refletir com os jovens os diferentes papeis que homens e mulheres exercem na sociedade e como estes são construídos por meio da cultura, expressos em diferentes veículos de comunicação e na imagem que cada um tem de si e da outra pessoa. O debate provocado é muito rico e pode desenvolver uma educação menos preconceituosa e mais humana.
Experimente, você vai ter uma agradável surpresa!

Relato de uma ex-aluna das redes publicas e privada de Brasilia

A escola trata com preconceito quem desafia as normas de papéis masculinos e femininos. A seguir, uma discussão sobre sexo, sexualidade e gênero.

Iana Mallmann, 18 anos, ex-aluna das redes pública e privada de Brasília. 

A escola conivente com a homofobia

"Nunca tive uma postura feminina, nunca gostei de usar vestido, assessórios no cabelo. Por causa dos meus trejeitos, da maneira como eu me vestia, fui alvo de comentários na escola particular em que estudava. Muitos colegas apontavam para mim, riam, me chamavam de menina-macho. Na aula de Educação Física, eu não queria usar short-saia e, por isso, minha mãe foi chamada até a escola várias vezes. Fui repreendida por não me sentar com as pernas cruzadas ou os joelhos encostados, como uma menina deveria. Comecei a entender o que estava acontecendo comigo durante os anos finais do Ensino Fundamental, quando me apaixonei por uma colega. Entrei em depressão e tentei me matar três vezes. Decidi contar para a minha mãe. Ela me apoiou muito e aí nada mais me
importava. Cortei meu cabelo, joguei fora as roupas de menina que eu não gostava, me libertei. Passei a falar abertamente sobre a minha sexualidade, mesmo dentro da escola. Nesse momento, fui abordada várias vezes por professores e pela coordenação. Eles diziam coisas como ‘tudo bem você ser homossexual, mas não fale disso na escola’. Descobri depois que havia outros jovens homossexuais na escola, mas eles tinham de ficar calados. No fim das contas, mudei para uma escola pública em que a sexualidade não era um problema. Havia vários projetos para discutir o assunto, inclusive uma semana de combate à homofobia, para questionar a postura dos alunos e da sociedade com o assunto."

COMO A ESCOLA PODERIA AGIR 


A instituição deve ser um ambiente em que todos os alunos se sintam acolhidos. Para que isso aconteça, é importante que a sexualidade seja discutida constantemente, mostrando que não há uma única maneira possível de explorá-la. Também é preciso apoiar alunos que busquem os educadores para discutir sua sexualidade. Nas regras de convivência e nas ações concretas de gestores e professores, deve estar claro que situações de homofobia e piadinhas não são toleráveis.

domingo, 5 de abril de 2015

CAPA DA REVISTA ESCOLA NOVA

Lançada na quarta-feira (11), a edição de fevereiro de NOVA ESCOLA convida os educadores ao debate sobre as questões de gênero e sexualidade. Para isso, a revista estampou na capa uma foto do britânico Romeo Clarke, 5 anos, vestido com uma fantasia de princesa e uma provocação: "Vamos falar sobre ele?". A reportagem traz, com exclusividade, o download do Escola sem Homofobia, material didático que ficou conhecido como "kit gay" e teve sua distribuição suspensa pelo governo federal em 2011.

Até a manhã desta sexta-feira, o texto, hospedado no site de NOVA ESCOLA, recebeu mais de 89 mil visitas. A nota com link para download foi vista mais de 13 mil vezes. Já a capa, divulgada no Facebook, chegou a 3,3 milhões de visualizações, 23 mil curtidas, 11 mil compartilhamentos e quase 2 mil comentários. O alcance já é 31 vezes maior que o do lançamento da capa anterior, da edição dezembro 2014/janeiro 2015, que atingiu mais de 107 mil pessoas na rede social.

Beto de Jesus, secretário para América Latina e Caribe da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, pessoas Trans e Intersex, comemorou o sucesso da reportagem e a divulgação do kit Escola sem Homofobia: "Nós não poderíamos deixar de disponibilizar esse material para a população, para que os professores discutam e reproduzam. Nossa intenção é combater toda forma de violência e discriminação. Foi no momento certo, acompanhando uma capa importante da revista, e nós ficamos felizes com a repercussão".

Os comentários nas redes sociais demonstraram que as questões de gênero rendem debates acalorados. "É um tema muito delicado e complicado de lidar em sala de aula. Carece sim de muitas leituras e estudos, pois qualquer atitude dos profissionais da escola e famílias sem o devido embasamento pode ser extremamente danoso para a criança", opinou Júlio Costa no Facebook. Já Bia Melo falou da necessidade de debate: "Os comentários que a gente lê aqui reforçam a importância da discussão do assunto, de uma capa como essa. Há tanta desinformação e tanto preconceito que chega a ser preocupante". Gilvania Ferreira comentou: "O olhar humano é malicioso e sempre deturpa as coisas. Se ele se sente bem com roupas ditas femininas, quem é que pode dizer para não usá-las? Assim como as roupas, os brinquedos também são criados com a intenção de diferenciação entre os sexos. Portanto, se estamos educando crianças livres em suas escolhas, não podemos determinar com que tipo de brinquedo podem brincar".

Muitos leitores discordaram da abordagem da revista. Juan Tutiya comentou no Facebook: "Não ao kit gay nas escolas, não à feminilização dos que nascem com o sexo masculino e não à masculinização das que nascem com o sexo feminino, cada um com seu papel". Já a internauta Patrícia Nunes defendeu que isso não é assunto da escola: "Professor não é pai e mãe, professor ensina, os pais são responsáveis por valores éticos, morais, religiosos, enquanto os filhos são menores de idade (...) com um aluno assim, o professor deve simplesmente contatar os pais e relatar o ocorrido para que os mesmos, como responsáveis legais, decidam o que fazer".

A capa também gerou comentários no Instagram. Sylvia Assis escreveu: "Vamos falar sobre ele? Vamos ser maduros pra isso? Não vamos permitir que essas crianças sejam expulsas da escola, da família e da sociedade?".Reprodução da capa de NOVA ESCOLA
Nasceu com vagina e vestia roupas identificadas como femininas.
Através de procedimento cirúrgico construiu em seu corpo um pênis.
Veste roupas que identificam como homem.
Relaciona-se sexualmente com homens, 

com pênis e que vestem roupas identificadas como masculinas.
O mundo e o conhecimento que herdamos, em seu discurso normativo, tinha/tem tudo bem definido, como ordem natural, inclusive divina. As reivindicações dos movimentos identitários das últimas décadas têm questionado muitas destas certezas, tanto em termos políticos quanto de construção do conhecimento na academia. O objetivo deste artigo é mostrar algumas destas “desconstruções” sobre sexo, gênero e sexualidade, realizadas no âmbito dos Estudos Feministas, de Gênero, sobre Masculinidade, dos Estudos Gays e Lésbicos e da Teoria Queer. Mais do que isto, mostrar como as reflexões sobre gênero não podem estar desconectadas das reflexões sobre sexualidade, e vice-versa. O processo de construção de identidade sexual e de gênero expressa na epígrafe acima revela justamente a insuficiência das categorias identitárias disponíveis, desestabiliza noções fixas e relações naturais entre sexo, gênero e sexualidade, e aponta para a limitação de discursos assimilacionistas.
Algumas definições básicas
Antes de entrar na discussão sobre a articulação das categorias com as quais vamos trabalhar, é importante defini-las para que haja uma compreensão comum sobre a forma como elas serão utilizadas e o que se entende por cada uma delas. Há uma vasta bibliografia que discute e define estes conceitos, mas, correndo o risco de não esgotar os argumentos e explicações, apresentamos definições próprias que subsidiarão a discussão.
- sexo refere-se ao dado físico-biológico, marcado pela presença de aparelho genital e outras características fisiológicas que diferenciam os seres humanos como machos e fêmeas; além destas, a partir de pesquisas recentes, também o código genético precisa ser considerado na constituição do sexo, o que complexifica as definições neste âmbito, cujo principal exemplo são as inúmeras formas de intersexualidade;
- gênero refere-se ao dado social, formado por um aparato de regras e padrões de construção corporal e comportamento que configuram a identidade social das pessoas a partir do substrato físico-biológico, do que resultam identificações como masculino e feminino, bem como as múltiplas variantes que desviam da norma, como androginia, travestismo, efeminação ou masculinização, por exemplo;
- sexualidade refere-se ao dado sexual, que se define pelas práticas erótico-sexuais nas quais as pessoas se envolvem, bem como pelo desejo e atração que leva a sua expressão (ou não) através de determinadas práticas. Esse dado também é chamado por alguns/as de “orientação sexual”, e comumente classifica as pessoas em “heterossexuais”, “homossexuais” e “bissexuais”.
Do Feminismo à Teoria Queer
Guacira Lopes Louro, em sua Conferência sobre a relação entre os Estudos Feministas, os Estudos Gays e Lésbicos e a Teoria Queer no II Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura afirmou que:
... os estudos feministas, os estudos gays e lésbicos e a teoria queer são campos teóricos e políticos marcados por afinidades e alianças e, ao mesmo tempo, atravessados por debates e divergências perturbadoras. 1
Na década de 70, o mundo ocidental presenciou uma efervescência de movimentos políticos contestatórios dostatus quo branco, rico, masculino e heterossexual. Dois destes movimentos que interessam de maneira especial aqui foram a Segunda Onda do Movimento Feminista e a organização do moderno Movimento Homossexual (de maneira simbólica instaurado a partir de 1969 com a Revolta de Stonewall). Concomitantemente a estes movimentos políticos desenvolveram-se os campos teóricos definidos como Feminismo e Estudos Gays e Lésbicos.
Os estudos feministas, ao incorporarem as categorias de gênero, forneceram um instrumental capaz de questionar, nas diversas áreas do conhecimento e em todas as esferas da vida, os padrões patriarcais que definem o que significa ser “mulher” (e conseqüentemente colocaram em questão o que significa ser “homem”, embora esta questão apenas muito recentemente tenha se tornado objeto de reflexão por parte dos homens). A desconstrução a partir destas categorias mostrou que, tanto homens quanto mulheres, aprendem a ser e viver como tal a partir de um complexo aparato de normas e regras de comportamento que definem os papéis de gênero. Desta forma, permitiram visualizar as conexões estabelecidas entre sexo (o dado físico-biológico) e gênero (o dado social) sem, muitas vezes, questionar a relação natural estabelecida entre esses dois e o dado sexual (a sexualidade), mantendo uma suposta orientação lógica do desejo para aquilo que se chama de “sexo oposto”. Assim, muitas vezes, não questionaram a estrutura heterocêntrica da sociedade ocidental, ignorando que os dados físico-biológico e social são atualizados nos corpos desejantes e excluindo uma multiplicidade de possibilidades de vivência da sexualidade localizadas fora dos padrões heteronormativos.
Os estudos gays e lésbicos utilizaram-se das categorias de gênero, mas desenvolveram seus estudos notadamente na área da sexualidade. Com o aprofundamento destes estudos e também com o questionamento advindo dos movimentos políticos, categorias como “homossexual”, “gay” e “lésbica”, mostraram-se demasiadamente limitantes para falar da diversidade de identidades sexuais construídas e vividas por integrantes destes movimentos. Estas categorias, muitas vezes, acabavam por essencializar uma identidade homossexual facilmente assimilada dentro do sistema patriarcal e heterocêntrico, mantendo-o intacto. Como afirma T. Spargo:
Bissexualidade, transsexualidade, sadomasoquismo e identificação transgênero todas implicitamente contestaram o ideal inclusivo da política assimilacionista. A incompatibilidade pode ser parcialmente interpretada como respeitabilidade. Se você quer ser uma parte igual de um mundo heterossexual provando quão comum, quão exatamente-como-você (mas talvez um pouquinho mais sensível ou artístico) você é, simplesmente não vai dar para ostentar os seus desejos e relações mais excessivas, transgressivas. 2
Assim, no final da década de 80 e início da década de 90 começou-se a falar em Teoria Queer. “Queer” é um termo da língua inglesa, traduzido comumente como “estranho, esquisito, singular, excêntrico”. A partir desta acepção, o termo também é empregado, especialmente na América do Norte, para pessoas que não correspondem ao padrão heterossexual da vivência da sexualidade ou do papel de gênero correspondente ao seu sexo. Neste sentido, a apropriação do termo pela corrente acadêmica que se denomina Teoria Queer, como afirmam A. Stein e K. Plummer “é um jogo político na palavra queer, por longo tempo identificada como ‘homossexualidade’, e a mais nova série de ‘afirmações reversas’ na qual as categorias construídas através da medicalização são usadas contra elas mesmas”. 3
A proposta central da Teoria Queer é romper com os dualismos (de maneira especial a oposição entre homo e heterossexual), desestabilizando uma estrutura social heterocentrada, construída ao redor do paradigma heterossexual. Assim, como afirma E. K. Sedgwick, uma das precursoras da Teoria Queer:
[A Teoria Queer refere-se a] uma trama aberta de possibilidades, brechas, sobreposições, dissonâncias e ressonâncias, lapsos e excessos de significado quando os elementos constituintes do gênero de alguém, da sexualidade de alguém não são feitos (ou não podem ser feitos) para significar monoliticamente. 4
Neste campo teórico são inegáveis as contribuições dos estudos sociais, históricos, especialmente aqueles realizados no âmbito da teoria feminista. Assim como Eve Kosovski Sedgwick, Teresa de Lauretis e Judith Butler, precursoras da Teoria Queer, os estudos de muitas outras feministas serviram de inspiração e base para os/as teóricos/as que agora se colocam sob a categoria queer. 5 Os estudos queer, no entanto, deram um passo além das análises de gênero, tornando a sexualidade um assunto de relevância acadêmica, não só nos discursos e estudos da medicina e psicologia, mas em áreas tão diversas quanto economia, sociologia, antropologia, política e religião. Através destes estudos quer-se mostrar como a vida social-política-econômica-cultural-religiosa está organizada a partir de um padrão heterocêntrico, no qual a maioria das pessoas não se encaixam, propondo uma outra alternativa a partir da experiência de vivências não-heterossexuais.
No contexto acadêmico brasileiro esta reflexão permanece um tanto invizibilizada. Embora inúmeros estudos estejam sendo desenvolvidos nesta área, utilizando a Teoria Queer como referencial teórico, sua popularização na academia continua sendo um desafio. Além dos estudos sobre a sexualidade brasileira que poderiam ser qualificados sob esta ótica 6, um exemplo da existência de uma pesquisa queer na academia brasileira é a articulação da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH) e alguns núcleos de pesquisa que têm se ocupado com a temática. 7 Conforme G. L. Louro:
A força e a graça de lidar com as questões levantadas pelas feministas, pelos gays e lésbicas ou queer reside, justamente aí, nessa disposição de ser continuamente subversivo, nesta tendência a desobedecer. 8
Quando sexo, gênero e sexualidade se des-encontram
Um dos temas que tem ganhado atenção recentemente no campo dos estudos de gênero é a questão da masculinidade. Embora seja um tema bastante recente e não muito pesquisado, há um grande número de trabalhos e publicações nesta área nos últimos tempos, sejam elas acadêmicas ou de cunho popular-consumista. Isto se deve à popularização do que se convencionou chamar “a crise do macho”. Esta expressão é usada para falar do desconforto de muitos homens diante das mudanças ocorridas desde a década de 70, especialmente com o avanço e visibilidade do Movimento Feminista e do Movimento Homossexual. 9
Os estudos sobre masculinidade realizados dentro das categorias de gênero têm contribuído muito para a desconstrução de um modelo de masculinidade hegemônico e proposto e valorizado novas formas de ser homem. No entanto, muitas publicações, especialmente aquelas voltadas para o consumo mais popular, mas também algumas realizadas em círculos acadêmicos, na tentativa de desconstrução do papel do “macho” limitam-se à análise da sua relação com as mulheres e pressupõem a sexualidade heterossexual. Raramente se mencionam formas “alternativas” não-heterossexuais de masculinidade e suas contribuições para este debate.
Estas reflexões, de modo geral, ignoram as discussões realizadas no âmbito dos estudos gays e lésbicos e da teoria queer. Preservam uma dicotomia entre homens e mulheres, entre masculino e feminino, geralmente fundamentadas nas categorias jungianas animus e anima para falar de elementos masculinos e femininos presentes em homens e mulheres. L. Boff, por exemplo, assim define o princípio feminino:
O feminino no homem e na mulher é aquele momento de mistério, de integralidade, de profundidade, de capacidade de pensar com o próprio corpo, decifrar as mensagens escondidas sob sinais e símbolos, de interioridade, de sentimento de pertença a um todo maior, de guardar no coração, de poder gerador e nutridor, de vitalidade e espiritualidade. 10
Se estes princípios se fazem presentes nos seres humanos diferentemente através de características de comportamento específicas, como se justifica a construção dualista masculino/feminino? A partir destes princípios definem-se características sobre o que corresponde ao homem e à mulher, e a necessidade de valorização do princípio feminino nos homens. Isso não significa que nas reflexões sobre o papel social de homens e a necessidade de desconstrução o tema da sexualidade não esteja presente. Ele está. Até porque o que significa ser homem está ligado diretamente a um tipo de sexualidade que se espera dele. Conforme Diego Irrarazaval: “Uma sexualidade hegemônica masculina é violenta e competitiva; deve ser demonstrada de forma quase obsessiva; está centrada no pênis; é homofóbica e intolerante com relação aos homossexuais; é irresponsável”. 11 No entanto, as discussões de gênero centram-se na reflexão sobre a sexualidade normativa, sem aprofundar o debate a partir da experiência concreta de muitos homens e muitas mulheres, talvez a maioria deles e delas, que não se encaixam nesta norma. Além disso, não estabelecem suficientemente a relação entre os papéis gênero e a vivência da sexualidade.
As reflexões sobre gênero, se desvinculadas das reflexões sobre sexualidade desenvolvidas no âmbito dos Estudos Gays e Lésbicos e da Teoria Queer, correm o risco de criar outras identidades estáticas, pretensamente libertas, quando ainda excluem uma multiplicidade de possibilidades, tanto com relação ao próprio papel social desempenhado por homens e mulheres, quanto pela vivência do seu desejo expresso através da sexualidade.
Corporeidade – Onde sexo, gênero e sexualidade se encontram
O que sexo, gênero e sexualidade têm em comum, assim como com todas as outras características que compõem as identidades dos seres humanos, é que elas são significadas em nossos corpos. O termo “corporeidade”, não se refere apenas ao corpo humano como conjunto de órgãos e partes, mas ao ser humano enquanto presença corporal e a sua relacionalidade consigo mesmo, com outras pessoas, com a natureza e com a divindade. É a forma como existimos e damos significado à nossa existência. Neste sentido, o corpo é a “superfície de inscrição de valores” tanto sociais quanto sexuais. Os papéis de gênero são construídos sobre os corpos com sua constituição físico-biológica única e vivenciados através de uma sexualidade específica.
Tradicionalmente a relação entre estes três elementos que fazem parte do processo de construção da identidade têm sido definida como uma seqüência lógica onde, a um sexo físico-biológico corresponde um determinado comportamento de gênero e uma maneira específica de vivência da sexualidade. Conforme G. L. Louro: “A coerência e a continuidade supostas entre sexo-gênero-sexualidade servem para sustentar a normatização da vida dos indivíduos e das sociedades”. 12 A Teoria Queer, ao abrir-se para possibilidades múltiplas de relação entre estes três aspectos rompe com esta lógica, reconhecendo a vivência de formas alternativas. Abordar o tema da corporeidade desde a Teoria Queer permite desconstruir estereótipos de gênero e sexuais, utilizando o corpo e suas experiências subversivas como paradigma hermenêutico.
Alguns modelos de corporeidade queer nos ajudam a perceber as limitações de nossas análises de gênero quando desvinculadas da reflexão sobre a sexualidade em suas múltiplas e inúmeras manifestações. Guacira Lopes Louro menciona o exemplo da drag queen que explicitamente fabrica o seu corpo e, segundo a autora:
...repete e subverte o feminino, utilizando e salientado os códigos culturais que marcam esse gênero. (...) Sua figura insólita ajuda a lembrar que as formas como nos apresentamos como sujeitos de gênero e de sexualidade são, sempre, formas inventadas e sancionadas pelas circunstâncias culturais em que vivemos. 13
Em outro texto 14, além de fazer referência às drag queens, trabalhei com o exemplo de travestis, strippers e transformistas, para propor a “corporeidade” como paradigma hermenêutico capaz de ajudar na desconstrução de modelos engessados de vivência de gênero e sexualidade construídos e codificados nos corpos. Enquanto questrippers buscam ressaltar as formas consideradas masculinas para despertar o desejo, transformistas constroem em seu corpo masculino uma figura feminina ideal, subvertendo as prescrições de seu sexo e gênero, e travestis utilizam ainda medicamentos e cirurgias construindo seu corpo e uma determinada vivência da sexualidade. Todas estas pessoas constroem seu corpo, em situações e por motivos diversos, atribuindo-lhe significados que misturam sexo, gênero e sexualidade fora do paradigma heterocêntrico.
O exemplo de construção de sexo, gênero e sexualidade descrito no início deste texto apresenta uma pessoa que nasceu com características físico-biológicas femininas, fez cirurgia de adaptação de sexo e se identifica como um homem gay. Dentro de uma perspectiva heterocêntrica poder-se-ia inferir que, se esta pessoa sentia atração erótico-sexual por outros homens, melhor se permanecesse com uma construção físico-biológica feminina. Isto também evidencia o fato de que até a linguagem, por heterocêntrica, é limitada para expressar esta realidade. Neste caso, no entanto, sexo, gênero e sexualidade se misturam de uma maneira surpreendente para quem está acostumado a um padrão único de relação entre estes aspectos da vida humana e exigem novas formulações. Pois, quando sexo, gênero e sexualidade se encontram, as possibilidades são múltiplas.
Falando da produção teórica no campo da Teologia nos últimos 40 anos, Peter T. Nash afirma que:
De alguma maneira, os grandes Pais da Teologia desde o primeiro século até a metade do século XX são apresentados como tendo praticado a sua arte sem nenhum contexto social e, então, subitamente, asiáticos, mulheres, negros, gays e latino-americanos começaram a infectar a pureza teológica com seus corpos e suas perguntas e afirmações em torno do corpo. 15
É meu desejo e o nosso trabalho fazer com que esta infecção se generalize, em todos os campos de construção de saber e prática social, permitindo cada vez mais encontros entre sexo, gênero e sexualidade, já que a vida está cheia deles, mesmo quando os padrões e as normas querem domesticar os corpos e limitar as possibilidades de expressão do desejo humano.

Gênero e sexualidade

http://pt.slideshare.net/Maridezonne/sexualidade-e-gnero

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Educação e docência: diversidade, gênero e sexualidade.

Guacira Lopes LouroProfessora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Resumo
Minha proposta é compartilhar e discutir com vocês algumas reflexões. Entendo que esse trabalho não é apenas teórico, mas é também político. As questões em torno dos gêneros e das sexualidades não envolvem apenas conhecimento ou informação, mas envolvem valores e um posicionamento político diante da multiplicidade de formas de viver e de ser. Como a escola tem lidado com tudo isso? Como nós, professoras e professores, nos vemos diante dessas questões? Quais são nossos pontos de apoio e onde se encontram nossas fragilidades e receios?

Introdução
O tema “gênero e sexualidade” geralmente nos fascina, nos provoca curiosidade e está por toda parte. Falar sobre prazer, desejo e amor pode ser ótimo e discutir como se experimentam todas essas coisas quando se é uma mulher ou um homem, quer dizer, discutir se há distinções e aproximações nas experiências ou nas vidas dos sujeitos masculinos e femininos também costuma provocar discussões acaloradas e instigantes; mas, quando temos de encarar esses temas em nossa posição de educadoras e educadores, as coisas parecem se complicar.
Há muito tempo venho estudando e trabalhando com essas questões. Por certo, não faço esse trabalho sozinha, mas juntamente com muitos parceiros e parceiras: com meus colegas do GEERGE (Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero), com estudantes do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRGS, com muitos outros colegas e estudantes dos vários grupos e núcleos de estudo que se espalham pelo Brasil e pelo exterior, e com tantas professoras e professores como vocês com quem tenho tido oportunidade de dialogar. Tenho consciência, portanto, de que essas questões são muito importantes para quem trabalha no campo da Educação, muito especialmente para quem lida, cotidianamente, com crianças e adolescentes, para quem se vê desafiado a acolher e dar algum encaminhamento às dúvidas, às perguntas e às situações que essas crianças e jovens constantemente nos colocam oportunidade de dialogar. Tenho consciência, portanto, de que essas questões são muito importantes para quem trabalha no campo da Educação, muito especialmente para quem lida, cotidianamente, com crianças e adolescentes, para quem se vê desafiado a acolher e dar algum encaminhamento às dúvidas, às perguntas e às situações que essas crianças e jovens constantemente nos colocam.
São muitas as possibilidades de encaminhar uma discussão dessas questões. Apresento a seguir quatro pontos ou aspectos que poderão, mais adiante, ser desenvolvidos ou ampliados.
Em primeiro lugar, parece importante esclarecer como estou compreendendo os dois conceitos centrais desta fala: gênero e sexualidade. Repetidos por todo mundo, nas mais diferentes situações, nas práticas cotidianas, na mídia, na escola, etc., muitas vezes esses termos aparecem juntos, numa indicação de que são dimensões da vida extremamente articuladas. Concordo com isso, mas acho que se pode dizer que entre gênero e sexualidade, mais do que articulações há, muitas vezes, embaralhamentos, misturas, confusões. Não me refiro apenas a indistinções conceituais, como aquelas que alimentam os debates acadêmicos, mas me refiro, talvez de modo mais candente, às indistinções do senso comum – como a noção de que é um “sujeito gay não passa, ao fim e ao cabo, de uma mulherzinha” ou a noção de que é “impossível ser feminina e lésbica” –, noções que acabam por se naturalizar de tal modo que se tornam quase imperceptíveis. Essas noções estão muito arraigadas em nossa cultura e lidamos com elas constantemente em nossas escolas, na nossa família ou, até mesmo, dentro de nós. As consequências políticas de noções desse tipo são demasiadamente importantes para que possam ser desprezadas. Por isso, antes de mais nada, parece-me que vale a pena deixar clara a perspectiva que informa minha fala.
Há muito que estudiosas feministas procuram demonstrar a especificidade e, consequentemente, a distinção entre gênero e sexualidade e, ao mesmo tempo, sua estreita articulação. Entre essas estudiosas, o conceito de gênero surgiu pela necessidade de acentuar o caráter eminentemente social das diferenças percebidas entre os sexos. Apontava para a impossibilidade de se ancorar no sexo (tomado de modo estreito como características físicas ou biológicas dos corpos) as diferenças e desigualdades que as mulheres experimentavam em relação aos homens. O conceito levava a afirmar que tornar-se feminina supõe uma construção, uma fabricação ou um aprendizado que acontece no âmbito da cultura, com especificidades de cada cultura. Portanto, as marcas da feminilidade são sempre diferentes de uma cultura para outra; essas marcas se transformam, são provisórias. Inscrevê-las num corpo supõe, também, lidar com as marcas distintivas do seu outro, a masculinidade. Percebe-se, então, que ao falar de gênero estamos nos referindo a feminilidades e a masculinidades (sempre no plural). A potencialidade do conceito talvez resida exatamente nesta noção, a de que se trata de uma construção cultural contínua, sempre inconclusa e relacional.
Apesar de algumas resistências, essas ideias já vêm sendo admitidas por muitos. Mas as coisas costumam se complicar um pouco mais quando se trata da sexualidade. Inúmeras pesquisadoras e pesquisadores comentam o quanto parece ser difícil admitir que a sexualidade também é construída culturalmente.
A dificuldade parece residir no fato de que, usualmente, se associa (às vezes até se reduz) a sexualidade à natureza ou à biologia. E, quando se assume este modo de pensar, frequentemente, se supõe que a natureza e a biologia constituem uma espécie de domínio à parte, alguma coisa que ficaria fora da cultura. Contrariando essa posição, é interessante lembrar Jeffrey Weeks (1999), um destacado estudioso, que afirma que “as possibilidades eróticas do animal humano, sua capacidade de ternura, intimidade e prazer nunca podem ser expressadas ‘espontaneamente’, sem transformações muito complexas”. E as transformações a que Weeks se refere podem ser entendidas como a linguagem, os jeitos, os códigos, enfim, todos os recursos que usamos para expressar nossos desejos. É inegável que a forma como vivemos nossos prazeres e desejos, os arranjos, jogos e parcerias que inventamos para pôr em prática esses desejos envolvem corpos, linguagens, gestos, rituais que, efetivamente, são produzidos, marcados e feitos na cultura.

Guacira Lopes Louro

Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Fonte- http://formacaodocente.autenticaeditora.com.br/artigo/exibir/9/30/1 

Relações de gênero – um tema que não pode ficar fora da sala de aula.

Homens que se relacionam com muitas mulheres são “garanhões”.
Mulheres que se relacionam com muitos homens são “fáceis”.
Homens não choram.
Mulheres são menos eficientes



Como seus alunos percebem os papéis que os homens e as mulheres desempenham na sociedade? A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou em Nova York a campanha HeForShe (ElePorEla), um movimento para promover a igualdade de gênero e nomeou a atriz Emma Watson, que ficou famosa ao viver a personagem Hermione na franquia Harry Potter, como embaixadora da boa vontade.
Em seu discurso, ela prega o reconhecimento dos direitos e da autonomia da mulher. “Acho certo que me paguem o mesmo tanto que os meus colegas do sexo masculino recebem… Que mulheres estejam envolvidas nas políticas e tomadas de decisão de seu país… Que eu seja capaz de tomar decisões sobre o meu próprio corpo… E que socialmente eu receba o mesmo respeito que os homens.”
Assista ao discurso da atriz na íntegra:
Como ela diz, nenhum país do mundo pode dizer que alcançou a igualdade de gênero. E eu completo: alguns países estão muito distantes disso, como o Paquistão, em que milícias extremistas tentam impedir as meninas de estudarem e até tentam assassiná-las por isso, como foi o caso da Malala, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. O Irã também foi manchete nos jornais dessa semana com o caso absurdo da advogada que foi presa e condenada a um ano de prisão por querer assistir a um jogo de vôlei.
O que não se noticia e a gente não percebe é que o descompasso entre gêneros, que produz tanta violência, é construído no dia a dia, durante todo o desenvolvimento de meninos e meninas, como parte daquilo que chamamos de Educação Sexual.
Ser Homem ou Mulher
A natureza não define o gênero de uma pessoa, apenas o sexo: nascemos do sexo masculino ou feminino. As crianças não nascem acompanhadas de uma “bula da natureza” que mostra como homens e mulheres devem se portar: isso é aprendido e estabelecido nas relações sociais e varia de acordo com a cultura, valores e conceitos. Logo depois que um indivíduo nasce, inicia-se um longo processo social que influencia a construção de sua identidade, do seu papel sexual e de como se porta nas relações entre os sexos. A absorção desses estereótipos de gênero depende de como cada um aprende, entende e interpreta seus direitos e deveres em relação a si mesmo, ao outro e ao seu grupo social. E isso é uma questão de cidadania de que a escola participa ativamente, seja de forma intencional e sistematizada, seja no simples fato de transmitir, por meio do vínculo que criam com os alunos, valores, crenças e atitudes dos seus profissionais.
Sugestão de como trabalhar a relação de gênero
Trabalhar a relação de gênero significa educar sexualmente meninas e meninos dentro de uma perspectiva de igualdade de relações e direitos. Independentemente do sexo, homens e mulheres podem ser fortes e fracos, emotivos e racionais, autônomos e dependentes, inteligentes e capazes. Os sujeitos são constituídos de acordo com suas experiências em função de sua história e cultura e não como um fato da natureza humana.
Durante a infância isso pode ser trabalhado nas histórias que são contadas para as crianças, nas brincadeiras adotadas pela escola, na igualdade de oportunidades, nas atividades desenvolvidas em sala de aula, e principalmente, pela tomada de consciência do professor sobre as suas atitudes e valores em relação ao sexo feminino e masculino. Os educadores precisam rever seus conceitos e sua atuação junto às crianças, para não passar adiante modelos que contribuem para o descompasso entre os gêneros. As historinhas infantis mostram que a submissão de uma princesa é motivo para o príncipe se apaixonar por ela? Os meninos são recriminados quando choram ou ficam tristes? Apenas as meninas são chamadas para ajudar a professora, por serem naturalmente mais “organizadas” e “prendadas”? Essas são algumas reflexões que educadores precisam fazer  para avaliar se sua postura em sala está reforçando estereótipos.
Na adolescência, as atitudes do dia a dia e a postura do professor também são muito importantes. Mas se na sua escola você dispõe da oportunidade de falar sobre gênero com seus alunos, esse é um excelente tema para se trabalhar. Para isso, é fundamental desenvolver uma atividade dinâmica em que os jovens possam expressar suas ideias, refletir sobre elas e desenvolver uma postura ética sobre as desigualdades sociais entre homens e mulheres. Uma boa sugestão é usar a dinâmica que trabalha as vantagens e desvantagens de ser homem ou mulher na nossa sociedade.

Fonte:
http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/