A vida
dentro de uma caixa: os homens devem... as mulheres devem...
Objetivos: discutir
sobre estereótipos e expectativas de gênero e observar como ambos limitam as
escolhas de mulheres e homens; trabalhar as distinções entre sexo (as
diferenças biológicas) e gênero (as construções históricas, culturais e
sociais); esclarecer as definições de gênero, que mudam de geração a geração,
de cultura a cultura e dentro de diferentes grupos socioeconômicos e étnicos.
Material necessário: quadro e giz (ou folha de flipchart ou cartolina e pincel
atômico) • folhas de papel A4 • um lápis ou caneta para cada participante.
Tempo recomendado: 1h30min
Procedimento:
Etapa 1
1. Perguntar ao grupo o significado de “pressão de grupo”.
2. Após escutar algumas definições dadas, pedir que
identifiquem situações em que se sentiram sob pressão para fazer alguma coisa
por algum grupo social (família, amigas/os, colegas) a que pertençam.
3. Dividir a turma em pares do mesmo sexo e distribuir uma
folha de papel e uma caneta para cada dupla.
4. Pedir aos pares que listem cinco tipos de comportamento
ou de qualidade tradicionalmente definidos como apropriados ou inapropriados
para mulheres e para homens. Dizer à turma que têm cinco minutos para
preencherem a folha e que uma dupla não deve se comunicar com a outra.
5. Explicar que as respostas não precisam necessariamente
representar o que eles/as pensam, mas, sim, a visão tradicional da sociedade.
Etapa 2
1. Dividir o quadro ou a folha de flipchart ou a cartolina
em duas colunas. Escrever “Mulher”, no alto de uma das colunas, e “Homem”, no
alto da outra.
2. Reunir as duplas em plenária e pedir que cada uma
compartilhe um dos comportamentos ou uma das qualidades listadas para as
mulheres. Ir anotando no quadro/folha o que for sendo apontado. Fazer o mesmo
para o que listaram sobre os homens.
3. Perguntar às/aos participantes o que acharam das listas,
pedir que as comparem e façam um resumo de cada uma.
4. Pedir que apontem quais comportamentos ou qualidades
listadas podem ser definidas como biológicas.
5. Você vai observar que poucos/as ou nenhum/a podem ter
determinação biológica. Nesse ponto, introduzir a distinção entre sexo
biológico e construção social de gênero e lançar para reflexão e discussão.
Etapa 3
1. Desenhar uma caixa em volta de cada lista no
quadro/folha. Explicar que cada caixa representa um espaço em que mulheres e
homens são tradicionalmente estimuladas/os e pressionadas/os a viver.
2. Perguntar às/aos participantes quantas garotas e mulheres
elas/es conhecem que já “saíram de suas caixas”, ou seja, não se encaixam em
todos aqueles pontos listados para elas.
3. Discutir o que levou as mulheres a mudarem. (Você pode
lembrar que o movimento de mulheres e o movimento feminista ajudaram muitas
mulheres a escapar de suas tradicionais caixas e a lutar por igualdade de
direitos.)
4. Estimular a reflexão e a discussão com as seguintes
perguntas: • Como as mulheres se beneficiaram por escapar de suas caixas? •
Como são vistas as mulheres jovens quando não se adaptam dentro das caixas? •
Ainda existe uma pressão para que as mulheres vivam de acordo com o conteúdo
dessa caixa?
5. Perguntar quantos garotos e homens o grupo conhece que
vivem de acordo com tudo o que está contido na caixa. O que acontece quando
garotos e rapazes tentam escapar da caixa? (Eles vão ser agredidos ou
“zoados”?) E o que acontece com os garotos e rapazes que vivem ou tentam ao
máximo se adaptar a essa caixa? (O que se observa é a existência de um sistema
de recompensas e punições que mantém rapazes e homens em suas caixas. Um
exemplo disso é a exaltação da virilidade entre os homens, que é algo ainda
muito valorizado e cobrado, mas que, ao mesmo tempo, os torna vulneráveis à
violência.) De que maneiras/nomes os homens jovens são chamados quando não se
adaptam à caixa? Mesmo hoje, ainda existe uma pressão para que homens vivam de
acordo com o conteúdo da caixa?
6. Voltando à questão de gênero, lançar e discutir as
seguintes questões: • Como aprendemos a representar os papéis de gênero? Damos
carrinho para meninos e bonecas para meninas, colocamos chuteira na porta do
quarto da maternidade, quando nasce um menino, e lacinho cor-de-rosa, quando
nasce uma menina etc.? • Quais são as pessoas e/ou instituições que nos ensinam
esses estereótipos? (Há vários locais de aprendizado de comportamentos
estereotipados de mulheres e homens: a família, a escola, a religião, os
esportes, a mídia, a música etc.)
Fechamento:
Discussão Momentos como esse, quando paramos e discutimos
sobre como vivemos e como queremos viver nossas vidas, são de grande
importância para a mudança, demonstrando como podemos ajudar não apenas nós
mesmos/as, mas também outras pessoas, a escapar dessas caixas.
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