quarta-feira, 17 de junho de 2015

Respostas para dúvidas de pais sobre educação sexual

A educação sexual nas escolas, de acordo com especialistas, tem a função de prevenir doenças, preparar para a vida adulta e contribuir para que a gravidez precoce seja evitada. A metodologia, a obrigatoriedade do ensino nas escolas e a idade em que a sexualidade deve ser formalmente abordada são pontos polêmicos para pais e educadores, mas a psicóloga Gina Strozzi e o ginecologista José Pinto Mota concordam que o tema não pode ser ignorado. A pedido de A Tribuna, eles responderam a perguntas feitas por pais sobre o assunto. A arquiteta Bianca Chiepe, que é mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo, perguntou de que forma o conteúdo deve ser abordado. A psicóloga e especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi, ensina que para tratar do assunto é necessário ser sutil e afetuoso, sem pular etapas da infância. “Não precisa adiantar as fases da criança. A criança pequena, a partir dos 9 anos, por exemplo, precisa entender a sexualidade com responsabilidade e afetividade. É preciso responder de forma sutil e que satisfaça sua curiosidade”, orientou. O funcionário público Fábio Martins Teixeira, 37, questionou se a disciplina deve ser obrigatória nas escolas. “O ideal é que fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não transmita os valores dele. Porém, como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como optativa ”, disse Gina. José Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação)”, explicou. Sobre a importância das discussões no ambiente escolar, sempre respeitando a abordagem ideal para cada faixa etária, o ginecologista e a psicóloga concordam que elas ajudam a preparar para uma vida adulta mais saudável. “Para adolescentes e jovens, isso é fundamental para formar consciência sexual pautada na responsabilidade”, disse Gina Strozzi. A arquiteta Bianca Chiepe, de 25 anos, mãe de Sofia, 7 , é a favor da educação sexual nas escolas desde que seja feita por profissionais capacitados. Bianca também acredita que a falta de orientação é prejudicial, pois faz com que os adolescentes aprendam errado com colegas. “Os professores têm que ser bem orientados. Mas não dá para tapar os olhos das crianças, pois se descobrirem sozinhos é pior. Se você não ensina, eles aprendem com os colegas”, disse.
Alguns questionamentos:  
1 - A disciplina de educação sexual deveria ser optativa ou obrigatória? Para a psicóloga Gina Strozzi, o ideal é que a disciplina fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não ensine às crianças conceitos já formados, não transmita os valores dele e esteja bem informado. “Porém , como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como o ptativa ”, disse. 
2 - Os pais devem ter o direito de discutir conteúdo com professores? “A gente pressupõe que os conteú- dos formais passem por crivos cientí- ficos, não somente sociais. É muito delicado. Eu avalio que é inviável a discussão aberta com os pais, porque não vai existir consenso. Cada pai tem um histórico familiar, uma formação” disse Gina Strozzi, psicóloga. 
3 - A partir de que idade a criança deve ter aula de educação sexual? Especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi diz que a questão da idade é controversa, mas defende que comece a partir de 9 anos e aconteça também em casa. “Nessa idade, já é possível começar uma orientação. A educação sexual começa em casa, a partir das perguntas das crianças. Meu conselho é que se você prometer falar depois sobre isso, não deixe de responder. Procure se informar, encontrar uma maneira de conversar, mas não perca essa oportunidade.” 
4 - Qual tipo de conteúdo é indicado para cada faixa etária? A multiplicidade de temas dentro da sexualidade faz com que os conteúdos variem. A psicóloga Gina Strozzi defende que, inicialmente, as questões anatômicas sejam abordadas. “Os primeiros conteúdos são ligados ao corpo. As questões reprodutivas, as doenças e sexo seguro. Nesse primeiro contato, eles perguntam de tudo. O segundo momento afasta um pouco do corpo e entra nas questões de gênero, os heterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais e travestis. E, por último, as questões que são ligadas aos transtornos sexuais, porque já exige um pensamento mais adulto”, afirmou. 
5 - Até que ponto a escola pode ir com relação ao assunto da hom o ss ex u a l i d a d e? O ginecologista e sexólogo José Pinto Mota defende que a questão da homossexualidade seja tratada na escola para evitar a homofobia. “A escolaéolocal apropriado para falar de sexo, inclusive da homossexualidade, antes que o aluno receba informação errônea pelas redes sociais. Nessa etapa crucial de desenvolvimento da criança e do adolescente, é importante também vencer os tabus da homofobia, pois é ali que nascem os homofóbicos do futuro”. 
6 - Os pais podem proibir os filhos de ter esse tipo de aula? De acordo com o médico José Pinto Mota, a proibição dos pais não traz benefício. “O pai não pode, nem deve, proibir os filhos de frequentarem a essas aulas, pois elas informam o que existe na sociedade, é mostrado em revistas, livros, televisão e na internet. O alicerce do saber é a escola e a boa educação familiar também. O ideal é “ Deve - se mostrar que a educação sexual é uma preparação para a vida adulta José Pinto Mota, ginecologista ” LEONARDO DUARTE - 06/04/2015 ACERVO PESSOAL “ A educação sexual começa em casa, a partir das perguntas das crianças Gina Strozzi, psicóloga ” Rayza Fontes Aeducação sexual nas escolas, de acordo com especialistas, tem a função de prevenir doenças, preparar para a vida adulta e contribuir para que a gravidez precoce seja evitada. A metodologia, a obrigatoriedade do ensino nas escolas e a idade em que a sexualidade deve ser formalmente abordada são pontos polêmicos para pais e educadores, mas a psicóloga Gina Strozzi e o ginecologista José Pinto Mota concordam que o tema não pode ser ignorado. A pedido de A Tribuna, eles responderam a perguntas feitas por pais sobre o assunto. A arquiteta Bianca Chiepe, que é mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo, perguntou de que forma o conteúdo deve ser abordado. A psicóloga e especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi, ensina que para tratar do assunto é necessário ser sutil e afetuoso, sem pular etapas da infância. “Não precisa adiantar as fases da criança. A criança pequena, a partir dos 9 anos, por exemplo, precisa entender a sexualidade com responsabilidade e afetividade. É preciso responder de forma sutil e que satisfaça sua curiosidade”, orientou. O funcionário público Fábio Martins Teixeira, 37, questionou se a disciplina deve ser obrigatória nas escolas. “O ideal é que fosse obrigatória e ministrada por um profissional que não transmita os valores dele. Porém, como nem sempre será possível, seria interessante criar a disciplina como o p t a t i va ”, disse Gina. José Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação)”, explicou. Sobre a importância das discussões no ambiente escolar, sempre respeitando a abordagem ideal para cada faixa etária, o ginecologista e a psicóloga concordam que elas ajudam a preparar para uma vida adulta mais saudável. “Para adolescentes e jovens, isso é fundamental para formar consciência sexual pautada na responsabilidade”, disse Gina Strozzi. que os pais sejam recebidos na escola para entender melhor o que e como os filhos estão aprendendo.” 
7 - Qual é a metodologia indicada para abordar a questão da sexualidade? O sexólogo José Pinto Mota acredita que o melhor método para falar da sexualidade no ambiente escolar é o questionamento. “O ensino deve ocorrer a partir do questionamento dos alunos. E também usar livros e artigos científicos, obedecendo a aspectos e processos éticos. Existem ainda manuais produzidos, inclusive pelo MEC, que capacitam bons ensinamentos.” 
8 - O que devo fazer se o meu filho começar a reclamar da aula de educação sexual? O ginecologista José Pinto Mota acredita que o desconforto em tratar do tema leva o aluno a reclamar das aulas. “Deve-se mostrar que a educação sexual é uma preparação para a vida adulta, faz parte da formação e é necessária. Os temas podem gerar constrangimento e o aluno reclama da aula por esse motivo ou por causa da dificuldade que o professor pode ter de transmitir a informação sobre o tema.” 
9 - Qual a importância da educação sexual durante o período escolar? “Para adolescentes e jovens, a educação sexual é fundamental para formar consciência e uma orientação sexual pautada na responsabilidade. É para ajudar os jovens a criar um senso critico e desenvolver uma sexualidade saudável, prazerosa, que fuja dos transtornos, patologias e distúrbios. A reflexão sobre esses temas os leva a ter uma vida saudável”, disse Gina Strozzi, psicóloga especializada em neurociência e sexualidade humana.

Reportagem de: Rayza Fontes, do  Jornal Atribuna, Dia 15 de Junho de 2015, Página 7. 

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