A educação sexual nas escolas,
de acordo com especialistas,
tem a função de prevenir
doenças, preparar para a vida
adulta e contribuir para que a
gravidez precoce seja evitada.
A metodologia, a obrigatoriedade
do ensino nas escolas e a idade
em que a sexualidade deve ser formalmente
abordada são pontos
polêmicos para pais e educadores,
mas a psicóloga Gina Strozzi e o
ginecologista José Pinto Mota
concordam que o tema não pode
ser ignorado. A pedido de A Tribuna,
eles responderam a perguntas
feitas por pais sobre o assunto.
A arquiteta Bianca Chiepe, que é
mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo,
perguntou de que forma o
conteúdo deve ser abordado.
A psicóloga e especialista em sexualidade
humana, Gina Strozzi,
ensina que para tratar do assunto é
necessário ser sutil e afetuoso, sem
pular etapas da infância.
“Não precisa adiantar as fases da
criança. A criança pequena, a partir
dos 9 anos, por exemplo, precisa
entender a sexualidade com
responsabilidade e afetividade. É
preciso responder de forma sutil e
que satisfaça sua curiosidade”,
orientou.
O funcionário público Fábio
Martins Teixeira, 37, questionou se
a disciplina deve ser obrigatória
nas escolas. “O ideal é que fosse
obrigatória e ministrada por um
profissional que não transmita os
valores dele. Porém, como nem
sempre será possível, seria interessante
criar a disciplina como
optativa ”, disse Gina.
José Mota acredita que o melhor
método para falar da sexualidade
no ambiente escolar é o questionamento.
“O ensino deve ocorrer a
partir do questionamento dos alunos.
E também usar livros e artigos
científicos, obedecendo a aspectos
e processos éticos. Existem ainda
manuais produzidos, inclusive pelo
MEC (Ministério da Educação)”, explicou.
Sobre a importância das discussões
no ambiente escolar, sempre
respeitando a abordagem ideal para
cada faixa etária, o ginecologista
e a psicóloga concordam que elas
ajudam a preparar para uma vida
adulta mais saudável. “Para adolescentes
e jovens, isso é fundamental
para formar consciência
sexual pautada na responsabilidade”,
disse Gina Strozzi. A arquiteta Bianca
Chiepe, de 25 anos,
mãe de Sofia, 7 , é a favor
da educação sexual
nas escolas desde
que seja feita por profissionais
capacitados.
Bianca também
acredita que a falta de
orientação é prejudicial,
pois faz com que
os adolescentes
aprendam errado com
colegas. “Os professores
têm que ser bem
orientados. Mas não dá
para tapar os olhos das
crianças, pois se descobrirem
sozinhos é
pior. Se você não ensina,
eles aprendem com
os colegas”, disse.
Alguns questionamentos:
1 - A disciplina de educação sexual deveria
ser optativa ou obrigatória?
Para a psicóloga Gina Strozzi, o
ideal é que a disciplina fosse obrigatória e ministrada por um profissional
que não ensine às crianças conceitos
já formados, não transmita os valores
dele e esteja bem informado. “Porém ,
como nem sempre será possível, seria
interessante criar a disciplina como
o ptativa ”, disse.
2 - Os pais devem ter o direito de discutir
conteúdo com professores?
“A gente pressupõe que os conteú-
dos formais passem por crivos cientí-
ficos, não somente sociais. É muito
delicado. Eu avalio que é inviável a discussão
aberta com os pais, porque
não vai existir consenso. Cada pai tem
um histórico familiar, uma formação”
disse Gina Strozzi, psicóloga.
3 - A partir de que idade a criança deve
ter aula de educação sexual?
Especialista em sexualidade humana,
Gina Strozzi diz que a questão da
idade é controversa, mas defende que
comece a partir de 9 anos e aconteça
também em casa. “Nessa idade, já é
possível começar uma orientação. A
educação sexual começa em casa, a
partir das perguntas das crianças.
Meu conselho é que se você prometer
falar depois sobre isso, não deixe de
responder. Procure se informar, encontrar
uma maneira de conversar,
mas não perca essa oportunidade.”
4 - Qual tipo de conteúdo é indicado
para cada faixa etária?
A multiplicidade de temas dentro da
sexualidade faz com que os conteúdos
variem. A psicóloga Gina Strozzi defende
que, inicialmente, as questões
anatômicas sejam abordadas.
“Os primeiros conteúdos são ligados
ao corpo. As questões reprodutivas, as
doenças e sexo seguro. Nesse primeiro
contato, eles perguntam de tudo. O segundo
momento afasta um pouco do
corpo e entra nas questões de gênero,
os heterossexuais, homossexuais,
transexuais, bissexuais e travestis. E,
por último, as questões que são ligadas
aos transtornos sexuais, porque já exige
um pensamento mais adulto”, afirmou.
5 - Até que ponto a escola pode ir
com relação ao assunto da hom
o ss ex u a l i d a d e?
O ginecologista e sexólogo José Pinto
Mota defende que a questão da homossexualidade
seja tratada na escola para
evitar a homofobia. “A escolaéolocal
apropriado para falar de sexo, inclusive
da homossexualidade, antes que o aluno
receba informação errônea pelas redes
sociais. Nessa etapa crucial de desenvolvimento
da criança e do adolescente,
é importante também vencer os
tabus da homofobia, pois é ali que nascem
os homofóbicos do futuro”.
6 - Os pais podem proibir os filhos de
ter esse tipo de aula?
De acordo com o médico José Pinto
Mota, a proibição dos pais não traz benefício.
“O pai não pode, nem deve,
proibir os filhos de frequentarem a essas
aulas, pois elas informam o que
existe na sociedade, é mostrado em
revistas, livros, televisão e na internet.
O alicerce do saber é a escola e a boa
educação familiar também. O ideal é
“
Deve - se
mostrar que a
educação sexual é
uma preparação para
a vida adulta
José Pinto Mota, ginecologista
”
LEONARDO DUARTE - 06/04/2015
ACERVO PESSOAL
“
A educação
sexual começa
em casa, a partir das
perguntas das
crianças
Gina Strozzi, psicóloga
”
Rayza Fontes
Aeducação sexual nas escolas,
de acordo com especialistas,
tem a função de prevenir
doenças, preparar para a vida
adulta e contribuir para que a
gravidez precoce seja evitada.
A metodologia, a obrigatoriedade
do ensino nas escolas e a idade
em que a sexualidade deve ser formalmente
abordada são pontos
polêmicos para pais e educadores,
mas a psicóloga Gina Strozzi e o
ginecologista José Pinto Mota
concordam que o tema não pode
ser ignorado. A pedido de A Tribuna,
eles responderam a perguntas
feitas por pais sobre o assunto.
A arquiteta Bianca Chiepe, que é
mãe de Sofia, de 7 anos, por exemplo,
perguntou de que forma o
conteúdo deve ser abordado.
A psicóloga e especialista em sexualidade
humana, Gina Strozzi,
ensina que para tratar do assunto é
necessário ser sutil e afetuoso, sem
pular etapas da infância.
“Não precisa adiantar as fases da
criança. A criança pequena, a partir
dos 9 anos, por exemplo, precisa
entender a sexualidade com
responsabilidade e afetividade. É
preciso responder de forma sutil e
que satisfaça sua curiosidade”,
orientou.
O funcionário público Fábio
Martins Teixeira, 37, questionou se
a disciplina deve ser obrigatória
nas escolas. “O ideal é que fosse
obrigatória e ministrada por um
profissional que não transmita os
valores dele. Porém, como nem
sempre será possível, seria interessante
criar a disciplina como
o p t a t i va ”, disse Gina.
José Mota acredita que o melhor
método para falar da sexualidade
no ambiente escolar é o questionamento.
“O ensino deve ocorrer a
partir do questionamento dos alunos.
E também usar livros e artigos
científicos, obedecendo a aspectos
e processos éticos. Existem ainda
manuais produzidos, inclusive pelo
MEC (Ministério da Educação)”, explicou.
Sobre a importância das discussões
no ambiente escolar, sempre
respeitando a abordagem ideal para
cada faixa etária, o ginecologista
e a psicóloga concordam que elas
ajudam a preparar para uma vida
adulta mais saudável. “Para adolescentes
e jovens, isso é fundamental
para formar consciência
sexual pautada na responsabilidade”,
disse Gina Strozzi.
que os pais sejam recebidos na escola
para entender melhor o que e como os
filhos estão aprendendo.”
7 - Qual é a metodologia indicada para
abordar a questão da sexualidade?
O sexólogo José Pinto Mota acredita
que o melhor método para falar da
sexualidade no ambiente escolar é o
questionamento. “O ensino deve ocorrer
a partir do questionamento dos
alunos. E também usar livros e artigos
científicos, obedecendo a aspectos e
processos éticos. Existem ainda manuais
produzidos, inclusive pelo MEC,
que capacitam bons ensinamentos.”
8 - O que devo fazer se o meu filho começar
a reclamar da aula de educação
sexual?
O ginecologista José Pinto Mota
acredita que o desconforto em tratar
do tema leva o aluno a reclamar das aulas.
“Deve-se mostrar que a educação
sexual é uma preparação para a vida
adulta, faz parte da formação e é necessária.
Os temas podem gerar constrangimento
e o aluno reclama da aula
por esse motivo ou por causa da dificuldade
que o professor pode ter de
transmitir a informação sobre o tema.”
9 - Qual a importância da educação
sexual durante o período escolar?
“Para adolescentes e jovens, a educação
sexual é fundamental para formar
consciência e uma orientação sexual
pautada na responsabilidade. É
para ajudar os jovens a criar um senso
critico e desenvolver uma sexualidade
saudável, prazerosa, que fuja dos
transtornos, patologias e distúrbios. A
reflexão sobre esses temas os leva a
ter uma vida saudável”, disse Gina
Strozzi, psicóloga especializada em
neurociência e sexualidade humana.
Reportagem de: Rayza Fontes, do Jornal Atribuna, Dia 15 de Junho de 2015, Página 7.
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